quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Låt Den Rätte Komma In/ Deixe Ela Entrar (2008) Dir. Tomas Alfredson

DEIXE ELA ENTRAR
“Låt Den Rätte Komma In”

Limito-me a falar de vampiros, ainda mais na época ultra homossexual que o cinema vem passando. Período “negro” repletos de vampiros de malevolência duvidosa e estórias clichês, roteiros sem criatividade, permeados com os mesmos parâmetros dos lastimáveis romances “água sem açúcar” que servem apenas para emos apaixonados e fúteis desilusões sentimentais. Já não existe mais aqueles seres dualísticos que iludem nossa percepção sobre a eternidade. Aonde está aquela estranha criatura, antes humana, que renegou a sua centelha divina, alçando-se nas trevas adormecida do inominável caos? Pois é. Infelizmente estamos sendo atacados por muita frescura vampiresca. Bons tempos aqueles que os vampiros eram criaturas demoníacas.

UM POUCO DE CRÍTICA E HISTÓRIA CINEMATOGRÁFICA

Eu adorava os vampiros de verdade, demônios blasfêmicos, sanguessugas, amantes carne e da dor. Aonde está o parasita da noite que aterroriza os pobres camponeses? (Nosferatu) Ou ainda aquele ser que renega a cruz em uma poesia profana, erótica, simbólica e clássica em prol de um sentimento poético além dos instintos humanos, conjurando, bestialmente as ações divinas em nome do eterno amor adormecido no leito de morte. (Drácula de Bram Stoker ). Sem deixar de mencionar os vampiros aristocratas e seus jogos de vida e morte (Entrevista com Vampiros); os demônios forjados em pele humana (Um Drink no Inferno , 30 Dias de Noite) e todas as criaturas renegadas da luz, vinda das profundezas do inferno apenas para aterrorizar e se alimentar da vida humana. (A Hora do Espanto, Garotos Perdidos) Hoje os vampiros choram demais, sofrem demais, esqueceram que são seres amaldiçoados, perderam sua criatividade vil e sua beleza bestial.


Por tal razão há muito tempo não me arrisco em assistir um filme do gênero. Estou com medo de levar um susto e morrer de desgosto. Há tempos que não vejo uma nova idéia renascendo além dos clichês habituais. “Crepúsculo” uma voz sussurrou aqui. Este sim, matou a estacadas o ideal da mitologia que carrega o gênero, Bram Stoker deve estar saltando em sua tumba, gritando freneticamente: “brócolis não, não coma brócolis! Cadê os dentes dessa coisa fresca!”



(Drácula de Bram Stoker - 1992 - Dir: Francis Ford Coppola)

(Nosferatu, A Symphony of Horror - 1922)


No quesito “vamos tentar piorar a situação” vence o lastimável e sofrível - O Caçador de Vampiras Lésbicas - deveriam empalar o sujeito que aprovou o roteiro de um filme tão chato e com os efeitos mais escrotos da história vampiresca do cinema! Tenho saudade das vampiras de verdade, repletas de erotismo, lascivas e demoníacas, com seus quadris flamejando intenções libidinosas, hipnotizando a razão diante da pouca consciência do falo postado a embebedar-se do ato sexual. Ainda me lembro como a Mônica Belluci, uma das noivas de Drácula, me deixou atordoado com seus rituais eróticos. A principio já estava tendo inveja da situação de Jonathan Harker (Keanu Reeves) envolto naquele jogo lascivo e ardente. Mas por fim o conde Drácula (Gary Oldman) colocou fim na situação. Depois disso nunca mais me esqueci, Ah! Mônica Belluci... Obrigado Coppola!


(Mônica Belluci - Drácula de Bram Stoker - 1992 - Dir: Francis Ford Coppola)

Veja a clássica cena das Noivas de Drácula com a belíssima Mônica Belluci [Aqui]

No entanto, ainda havia muito por vir. Atos demoníacos e intenções libidinosas fariam juízo novamente através da áurea erótica e mortífera que as esfinges das vampiras trazem consigo. Desta vez Tarantino seria o autor desta mágica em seu drink infernal. Quem já assistiu “Um Drink no Inferno” com certeza sonhou em visitar o bar mais rock n’ roll da história do cinema. Além da bebida e boa música, eu voltaria dezenas de vezes, apenas para rever a sedutora dança de Salma Hayek, carinhosamente conhecida como “Satânico Pandemonium – A rainha dos vampiros”. Envolta em ritmos ardentes; salsa, rock e blues; a belíssima Salma ‘Pandemonium’ dança lascivamente, carregando consigo uma sugestiva serpente, deixando todos hipnóticos. Com certeza está dança está entre as 10 danças "very" clássicas do cinema.

(Salma Hayek - Um Drink no Inferno - 1996 - Quentin Tarantino)

Para quem não viu, veja a famosa "dancinha" clicando [Aqui]


DEIXE ELA ENTRAR
(Inovação e criatividade na arte de contar estórias com sangue)


Analisando tudo de interessante que foi produzido atualmente e a algum tempo atrás, observando as deploráveis invenções e adaptações cinematográficas sobre a mitologia vampiresca. Acreditava eu, ser impossível em nossa época aflorar uma criatividade ímpar que narrasse o ideal comum desse gênero de uma maneira tão inesperada. Mas graças aos ossos de Bram Stoker essa proeza foi realizada. O filme que me disponho a escrever é uma inovação poética, melancólica, inocente, fotográfica, crua e extremamente criativa sobre um gênero tão surrado  – Vampirismo.



Deixe Ela Entrar (Let the Right One In) ou no original em Vernáculo “Låt Den Rätte Komma In” é uma produção sueca baseado na obra literária de John Ajvide Lindqvist que também é o roteirista. Como eu disse anteriormente, o filme carrega consigo uma poesia crua e fria sobre a vida e a morte, contrapondo com sentimentos de inocência do personagem principal, o introspectivo Oskar. Ele tem uma relação solitária  com a vida até o momento em que conhece Eli,  garota solitária e reclusa a hábitos comuns.



O roteiro é tão bem escrito que o “conceito vampiresco” do filme não fica exposto, pulsando todos os clichês imagináveis. Tudo flui perfeitamente, tecendo linhas coerentes, caminhando através de um enredo cativante, de uma desenvoltura incomum e criativa. Não há banhos de sangue, mas há uma poesia mórbida, fria e humana, pulsação de atos solitários em cada fotografia. O sangue surge, na medida, como forma de expressão simbólica, compondo a pintura da narrativa, retocando a densidade sugestiva da história. Os personagens são humanos, inocentes. Não há nenhum contexto religioso ou esotérico, tudo se resume a natureza humana, instinto animal e um pesar mórbido.

Sendo objetivo. Toda trama gira em torno de Oskar um solitário garoto que vive em um conjunto de apartamentos no subúrbio de Estocolmo no início dos anos 80. Como é muito franzino e calado, é chamado de "porquinho" na escola pelos valentões, sofrendo constantes agressões físicas. O filme retrata muito bem o ódio e o medo contido, além do prazer da natureza humana em degustar do poder através da violência.


Oskar, filho de pais divorciados, guarda para si todas as verdades sobre os ferimentos, nutrindo uma raiva contida, ensaiando contra-ataques com um canivete, colecionando recortes de crimes violentos que saem nos jornais como forma de externar sua fúria. Com a progressão do filme os segredos de Eli assim como sua sutil beleza vão se revelando, tecendo uma inocente paixão entre Oskar e Eli. Aumentando a tensão do filme.



O filme carrega consigo um segredo muito sutil, expresso na fotografia e na desenvoltura dos fatos, qualquer comentário a mais estragaria a surpresa aparente diante de cada cena. A carga de violência é grande, contudo nunca é gratuita. O filme trabalha com a imaginação do público em contraste com a frieza da composição das imagens. Por isso não se atente a está crítica, veja o filme. Considero tal obra o trabalho mais revelador sobre a temática criada até então neste século. Oportunidade única! Pois os americanos estão pensando em re-filmar a versão sueca, estragar as coisas, como fizeram com a produção latina “REC”.

FICHA TÉCNICA

Título em Português (no Brasil): Deixe Ela Entrar
Título Original (Vernáculo): Låt Den Rätte Komma In
Título em Inglês: Let the Right One In
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: John Ajvide Lindqvist
Produção: Frida Asp
Trilha Sonora: Johan Söderqvist
Efeitos Especiais: Patrik Strömdahl
Gênero: Drama/Suspense/Terror
País e ano de produção: Suécia / 2008
Duração: 115min
Site Oficial: http://www.lettherightoneinmovie.com/
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1139797


FILMES MENCIONADOS NO ARTIGO

- Drácula de Bram Stoker (1992)
- Entrevista com Vampiro "Interview with the vampire" (1994)
- Nosferatu (1922)
- Um Drink No Infero "From Dusk till Dawn" (1996)
- A Hora do Espanto "Fright Night" (1985)
- Os Garotos Perdidos "Lost Boys" (1987)
- 30 Dias de Noite "30 days of night" (2007)

DOWNLOAD

Qualidade: DVDRiP, 702MB
Torrent + Legenda (DEE.rar)
 
 

1 comentários:

Rafaela disse...

Viva os vampiros de verdade!!!rs

Ganhei Deixe ela entrar e Drácula de natal (e nem foi do papai noel =] rs) amei os dois, simbólicos, verdadeiros, poéticos...

bjs